Guarantã do Norte -MT

, 2 de Agosto de 2014  

MST pára 3 rodovias

BR 163 - . :Data:13/9/2006: . - . :Hora:16:15: . por Célio Ribeiro




JJ CAJU
BR-364 ficou fechada entre Sinop e Itaúba durante todo o dia, bloqueio que pode se repetir hoje
MARCO AURÉLIO JR e CLARICE NAVARRO DIÓRIO
Da Reportagem/Sinop e Sucursal de Cáceres

Integrantes do Movimento dos Trabalhadores Sem-terra (MST) realizaram ontem uma verdadeira ofensiva em reivindicação por áreas e cestas básicas no Estado, atendendo ao comando nacional do movimento. Cerca de mil manifestantes se dividiram entre ações em pontos estratégicos de Mato Grosso. Bloquearam a BR-163, entre as cidades de Itaúba e Sinop, no norte, e as rodovias BR-070 e BR-174, em Cáceres, no sudoeste. O fechamento das estradas aconteceu simultaneamente à invasão da sede do Incra em Cuiabá por famílias que estavam acampadas há meses em frente ao prédio.

Os bloqueios duraram praticamente todo o dia e podem se repetir hoje no norte do Estado, conforme um dos líderes do movimento em Sinop, José Edílson Barreto. “Se nossas reivindicações não forem atendidas, poderemos manter o bloqueio até amanhã (hoje)”, disse. Em Cáceres, a possibilidade de um novo fechamento hoje também existe, conforme os manifestantes, que mantiveram o bloqueio de 6h às 18 horas ontem. Lá, carros pequenos conseguiam passar por um desvio, o que evitou longas filas nas estradas.

Em Sinop, a passagem pelas rodovias foi liberada entre 11h30 e 14 horas, sendo reaberta apenas às 17 horas. Durante o bloqueio, foi permitido apenas o tráfego de ambulâncias e carros com crianças recém-nascidas. Em alguns momentos, a situação ficou tensa, porque alguns motoristas tentaram furar o bloqueio, mas foram impedidos pelos manifestantes que empunhavam foices e facões. “Temos que mediar a crise. Não podemos retirar ninguém daqui sem ordem judicial”, explicou o patrulheiro Hélio Queiroz, da Polícia Rodoviária Federal em Sinop.

No norte, o MST cobra a desapropriação de terras nas áreas denominadas Panorama, Chaparral, Alvorada, Minata e Três Nascentes, conforme policiais rodoviários federais que mediavam o conflito em Sinop. Já em Cáceres, os manifestantes eram acampados da Fazenda Rancho Verde, cuja aquisição está sendo negociada com o Incra. Um dos itens da pauta de reivindicação é justamente a agilização do processo de compra da área, onde estão atualmente cerca de 600 famílias.

Em consonância entre os trabalhadores do movimento, inclusive dos manifestantes de Cuiabá, está o desabastecimento do governo federal em relação às cestas básicas, o que alguns dizem estar acontecendo há seis meses, por falta de entrega da Companhia Nacional de Abastecimento (Conab).

“O governo federal já liberou os recursos há dois meses, mas a Conab não faz a compra dos alimentos para repassar aos acampamentos”, comentou o representante do movimento em Sinop.

Em Cáceres, ainda fazem parte da pauta dos acampados a entrega de 40 rolos de lona preta para a construção e reforço de barracos e a agilização de processos que tramitam na Justiça Federal referentes às fazendas Grendene, em Cáceres, São Paulo, em Mirassol D´Oeste, Santa Maria e Três Irmãos, todas na região. Os processos são para compra ou desapropriação de área destinada à reforma agrária.

Em Cuiabá, o superintendente do Incra em Mato Grosso, Leonel Wolfarth, por meio da assessoria de imprensa, afirma que não vai tomar, por enquanto, nenhuma medida administrativa ou jurídica contra a ocupação do órgão, porque só faz isso após esgotar todas as possibilidades de negociação e os manifestantes aguardam orientação do movimento em nível nacional para dar início a diálogos.

Disse ainda, com relação às cestas básicas, que sua distribuição é responsabilidade da Conah e não do Incra, mas que não chegaram por causa do atraso na votação do orçamento, que deveria ter sido realizada já no retorno das atividades do Congresso, após recesso, mas isso só ocorreu em maio.