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Dólar dispara e supera R$4,07 com dúvidas sobre mais cortes de juros nos EUA

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SÃO PAULO (Reuters) - O dólar acelerava as altas frente ao real nesta segunda-feira, superando a marca de 4,07 reais pela primeira vez desde meados de maio, na esteira do fortalecimento da divisa no exterior diante de discussões sobre o espaço para mais cortes de juros nos Estados Unidos.
Os debates sobre estímulos por parte de outras economias, como China e Alemanha, combinados com algumas dúvidas sobre a disposição do Federal Reserve em ser mais agressivo em eventual novo afrouxamento monetário davam fôlego ao dólar, num momento em que dados nos EUA voltaram a destacar a força da economia norte-americana frente ao restante do mundo.
“(Recentes) Dados robustos de consumo e inflação nos EUA enfraqueceram a possibilidade de que o Fed vai cortar os juros preventivamente, mantendo o tema sobre inversão das curvas de juros, saídas de recursos de emergentes e mercados de ações mais fracos”, disseram estrategistas do Morgan Stanley em nota a clientes.
O tom de dúvida sobre um Fed mais disposto a cortar os juros era reforçado nesta tarde por comentários do presidente do Fed de Boston, Eric Rosengren. Mesmo não sendo membro votante do Fomc, as declarações de Rosengren aumentavam a ala dos que questionam a necessidade de concessão generosa de estímulos monetários pelo BC dos EUA.
Segundo Rosengren, não é porque outros países estão afrouxando suas políticas monetárias que os EUA também deveriam fazê-lo. Além disso, para ele, as condições monetárias já estão acomodatícias e a economia está em muito bom estado no momento.
Por volta de 15h, o dólar à vista subia 1,41%, a 4,0604 reais na venda. Na máxima, foi a 4,0760 reais, pico intradiário desde 21 de maio.
No exterior, o dólar subia forte contra outras divisas emergentes, como peso mexicano (+1,03%), rand sul-africano (+1,08%) e lira turca (+1,39%).
Os mercados haviam golpeado o dólar entre meados de maio e de julho, confiantes na expectativa de que o Fed cortaria os juros de forma agressiva. Recentemente, o Fed reduziu a taxa básica, mas emitiu sinal mais “hawkish” que o esperado.
Por José de Castro
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