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Período proibitivo de queimadas inicia para frear aumento de 40% dos focos

Por Elayne Mendes

Período proibitivo de queimadas inicia hoje em Mato Grosso e estado já registra um aumento de quase 40% nos focos de calor comparando o primeiro semestre deste ano com o mesmo período do ano passado. São 47.440 focos de queimadas este ano e 34.049 em 2016. O índice é o segundo maior do país, perdendo apenas para Roraima que registrou 58.317 focos de queimadas. O Estado ainda se destaca com relação à lista com os 30 municípios do país que mais queimam, sendo representado por 14 cidades.
Divulgação Sema
Das 12 unidades de conservação estadual com maior número de focos de calor, 11 são mato-grossenses. Em primeiro lugar está o Parque Estadual do Cristalino 2, responsável por 179 focos de calor. Por outro lado, das 3 únicas unidades de preservação federal que foram registradas queimadas, nenhuma fica em MT.
Pesquisador e biólogo, Romildo Gonçalves explica que além das condições climáticas favorecerem a propagação de chamas, outro fator que colabora para que o Estado oscile entre a primeira e segunda posição das unidades federativas que mais queimam, é o de não ter estrutura e equipamentos especialmente voltados para o combate a incêndios, especialmente os de grande proporção, como o já registrado no Parque Estadual Serra Azul.
Gonçalves enfatiza que pesquisas apontam para o aumento na temperatura, garantindo que esta década será a mais quente no país, situação climática que também favorece o aumento dos focos de calor. “A temperatura, junto com a baixa umidade do ar e a quantidade de vento, que é a maior registrada historicamente no período, favorecem a expansão do fogo. O Corpo de Bombeiros, bem como brigadistas dos municípios, encontram dificuldades para controlar focos”.
Legislação falha
O especialista conta que desde 1998 gestões estadual e federal têm elaborado e editado legislações ambientais cada vez mais modernas. Conforme ele, no papel o Brasil tem, atualmente, as melhores e mais eficazes leis do mundo, porém, na prática o poder executivo não evoluiu para acompanhar estes modernos e eficientes parâmetros legais existentes.
Gonçalves frisa que na prática o que se vê são grandes prejuízos ao meio ambiente e à vida como um todo, já que junto com as queimadas são registradas mortes de animais e até mesmo problemas de saúde para o homem, e tudo por má administração de gestores.
O pesquisador diz que estuda há pelo menos 3 décadas a ação do fogo florestal, buscando entender sua origem, o controle e a sua evolução até então de forma negativa. “Fazer o manejo do fogo florestal e evitar as queimadas domésticas é essencial, ou vidas continuarão sendo queimadas aleatoriamente”.
Estratégias
Diante do cenário preocupante que se arrasta há muitos anos no Estado, quando se trata de queimadas, o Comitê Estadual de Gestão do Fogo, composto por 15 secretarias e instituições, elaborou o Plano Integrado de Ações para Prevenção às Queimadas para combater os incêndios florestais e as queimadas em 2018.
Luiz Alves/Secom Cuiabá
Integrante do Batalhão de Emergências Ambientais (BEA) e coordenador geral do plano, o coronel do Corpo de Bombeiros, Paulo André da Silva Barroso explica que o projeto tem por objetivo principal a adoção de medidas que procurem eliminar a causa dos incêndios bem como reduzir os riscos de propagação do fogo, constituindo-se numa das mais importantes etapas e sua eficiência está diretamente ligada aos investimentos direcionados para a educação ambiental, vigilância, treinamento de pessoal, equipamentos e monitoramento dos dados climatológicos. Estas ações deverão ser realizadas durante todo o ano e intensificadas no período de pré-estiagem.
Na tentativa de redução dos riscos de fogo e de sua propagação, o plano elaborado sugere a construção de aceiros e o manejo do material combustível e técnicas mais modernas. A vigilância, segundo Barroso, poderá ser fixa, móvel ou auxiliar. O grau de sofisticação pode variar desde o uso de animais de montaria até o de aeronaves, na vigilância móvel. Neste sentido o comitê ainda sugere o emprego de abrigos em pontos estratégicos, torres equipadas com sistemas automáticos de detecção, como sensores infravermelhos e câmaras de vídeo, na vigilância fixa, e a participação da sociedade civil, desde os transeuntes até a aviação comercial, na vigilância auxiliar.
O membro do BEA ainda enfatiza a importância do treinamento periódico de pessoal envolvido no combate às queimadas. Para isso, investimentos têm sido realizados na qualificação na formação, aperfeiçoamento e a reciclagem dos bombeiros.
Brigadas mistas
A formação de Brigadas Mistas nos municípios é outra alternativa destacada pelo coronel do Corpo de Bombeiros, Paulo André da Silva Barroso. Segundo ele, as prefeituras que firmaram parceria com o Estado em 2015 tiveram uma redução de até 97% nos focos de calor.
“Ampliando essa parceria entre Estado, municípios e entidades de classe, o resultado será cada vez mais positivo”. A aquisição de equipamentos, que pode ir de abafadores a aeronaves, é considerada medida de grande importância na prevenção e colabora para o planejamento de ações de combate ao fogo.
O Plano prevê, inicialmente, o dimensionamento mínimo de materiais, equipamentos e veículos a serem empregados nas Unidades de Conservação Estaduais e seus entornos, bem como nos municípios. Outro meio que o coronel elenca fazer parte das ações de prevenção às queimadas é o monitoramento dos dados climatológicos.
Para isso, explica que a Superintendência de Defesa Civil junto com a Superintendência de Geoinformação e Monitoramento Ambiental da Secretaria de Estado de Meio Ambiente (Sema) devem monitorar os dados meteorológicos de interesse divulgados pelos órgãos técnicos. Neste sentido pode se relacionar a precipitação, umidade relativa do ar, temperatura máxima e mínima, direção e intensidade dos ventos, nebulosidade e índice de inflamabilidade.
“Os referidos dados serão obtidos diariamente e repassados aos órgãos participantes do plano”. Dentre as medidas prévias para evitar os incêndios, Barroso enfatiza a importância de promover campanhas educativas e publicitárias visando informar, educar e alertar a população sobre os perigos do uso do fogo de forma inadequada. Estas ações devem ainda enfatizar sobre o risco maior no período proibitivo. Para auxiliar neste sentido, é previsto o investimento em panfletagem, anúncios na internet, TV, rádio, jornal, outdoor e outras mídias existentes.
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