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Produtos orgânicos de Alta Floresta são destaque em Feiras Internacionais

Produtores produzem mel, própolis e café orgânico


Reportagem
Mato Grosso do Norte

Os irmãos, Agnaldo e Rodrigo Alves da Silva, produtores em Alta Floresta há 28 anos produzem mel, própolis e café orgânico. De acordo com eles, os produtos orgânicos estão ganhando mercado no Brasil e no mundo. “Este trabalho vem de geração, começou com o meu pai e agora eu e meu irmão estamos continuando com a apicultura - nossa família já trabalhava com plantas medicinais. Aprendi a trabalhar com abelhas no colégio agrícola e ensinei o meu irmão Rodrigo”, disse Agnaldo. 
“Nesta época, ainda não tínhamos uma marca e vendíamos mel na rua. Foi então que decidimos criar a marca “Pedra do Índio” e fomos ampliando o nosso conhecimento, principalmente através de cursos do SEBRAE”, enfatiza.
Agnaldo conta que o trabalho com abelhas se aprende na prática. “A apicultura você aprende no campoe com muita persistência, nós fomos ampliando este trabalho e ganhando mercado”, conta o apicultor.
“Trabalhávamos somente com o mel então veio a ideia da própolis. Adquirimos uma nova tecnologia para retirar a própolis e comercializá-la. Nossa própolis é excepcional e é uma das melhores do mundo, enquanto que no Paraná o pico de florada das árvores chegam a 30, aqui em Alta Floresta tem média de 700, então você vê a variedade do mel da região”, enfatiza.
Para Agnaldo, tudo o que as abelhas produzem são comercializáveis e tem boa rentabilidade. “Existe umagrande variedade de resinas que as abelhas coletam das árvores. Hoje estamos tirando das abelhas, a cera, o mel e a própolis, mas ainda falta o veneno que é utilizado na medicina, a geleia real e o pólen”, complementa.
Para a produção de mel, os irmãos contam que fizeram parceria com fazendeiros na região. “Temos em média 160 caixas de abelhas espalhadas em várias propriedades. Perdemos algumas devido ao uso de agrotóxicosem lavoras da região. Para continuar com o mel, estamos mudando as abelhas para outras áreas que ficam longe do plantio de soja”, informa.
Agnaldo e Rodrigo contam que têm grandes planos para continuarem trabalhando com a apicultura. “Nosso objetivo agora é a casa do mel. Não podemos bater o mel de dia porque as abelhas atacam, então estamos fazendo este trabalho à noite. Com a casa do mel, enquanto nós estamos trabalhando no campo, nossas esposas podem bater o mel durante o dia”, contam os apicultores. 
“Para montar a Casa do mel com toda a tecnologia,é necessário investir aproximadamente R$ 170 mil. Para isso, o ideal é que tenhamos no mínimo 200 caixas de abelha em produtividade. Nós iremos fazer uma casa do mel simples e depois iremos ampliar”, enfatizam. 

Para a comercialização do mel, os apicultores contam que foi formada uma associação. “Através da associação nós podemos exportar nossos produtos, a burocracia ficou tudo por conta da prefeitura e do estado. Porém, nosso principal mercado ainda é interno, mas estamos ampliando nossa produção. O maior problema é por conta dos agrotóxicos, estamos perdendo abelhas e no momento temos que procurar outras parcerias para suprir essa demanda”, dizem os apicultores.
Agnaldo e Rodrigo dizem que a associação Green Word é para todas as culturas que produzem sem agredir o meio ambiente e nem trabalho escravo.O objetivo é uma produção orgânica e sustentável. Através Green Word produtos da região estão sendo comercializados em todo o território do Mercosul, mas enfatizam que outros mercados como Estados Unidos, Canadá e Europa também estão nos planos para a exportação.
“Esses mercados têm interesse de comprar produtos orgânicos da nossa região. Não interessa a quantidade, as pessoas aqui podem produzir desde 1 quilo, que a produção será comercializada. É um mercado que estamos conhecendo. Para se ter uma ideia, nossos produtos foram para a China a pouco tempo e temos certeza que terão uma grande avaliação”, enfatizam.
Agnaldo diz que no ano de 1992 a NASA fez teste no Colégio Agrícola e constatou que devido a nossa localização, os biomas e o clima, o nosso mel é um dos melhores do mundo. “Por todos esses fatores eu acredito muito na apicultura, principalmente como fonte de renda sustentável, conciliado com a natureza, agricultura e pecuária”, disse.

SELO EXPORTAÇÃO – Os produtos orgânicos têm que ser certificados e qualificados, os produtores contam que no início, vendiam seus produtos na feira e de porta-em-porta e as pessoas questionavam a procedência deles.
“A Legislação de produtos orgânicos no Brasil tinha um impedimento para quem é pequeno, porque não se consegue pagar o selo do IBD ou da ECOSER que são as certificadoras. Fica muito caro para uma pessoa que está começando a pagar o selo.Então surgiu a Lei 10.831/2003, que permite que o pequeno produtor venda como orgânico. 

Antes dessa Lei eu poderia produzir orgânico, mas não podia falar que era orgânico, porque não tinha como provar, nem o selo e nem exame de laboratório”, disse Rodrigo.
Rodrigo explica que os produtores que comercializam orgânicos precisam manter a propriedade aberta aos consumidores para permanecer com a certificação do selo. “A Lei permite vender dentro do estado, desde que a minha propriedade esteja aberta para qualquer consumidor que queira conhecer o processodos produtos, eles podem vir aqui e fazer todo o acompanhamento”, complementa Rodrigo.
Rodrigo conta que o Selo para exportação quem fez foi a Green Word com o apoio da prefeitura e de outras pessoas. “Conseguimos o Selo devido ao esforço da Janquile do Ministério da Agricultura, que veio aqui verificar as propriedades, do engenheiro agrônomo Glaucinei e do SEBRAE, através deste apoio foi que conseguimos este Selo Exportação”, agradecem os produtores.
“Para conseguir o selo tivemos que montar uma OCS – Organização de Controle Social. Esta OCS Pedra do Índio é registrada no Ministério da Agricultura. Hoje cada produtor que participa da OCS Pedra do Índio tem um certificado, este documento certifica que os produtos comercializados por estes produtores são orgânicos”, esclarecem.
Os produtores enfatizam que existe um mercado crescente para produtos orgânicos, mas que a produção no município ainda é baixa. “Aproximadamente 8 produtores têm este seloe estão aptos para exportação como orgânicos. Nossa tendência é chegar pelo menos em 20, têm outros produtores que também produzem orgânicos, mas são pessoas que tem propriedade e trabalham em outros lugares.Uns são professores da UNEMAT, outros tem carteira assinada e são assalariados, mas para ter o selo tem que ter o ADAP Rural e este documento comprova que a sua renda é toda da terra. Quem é assalariado e tem carteira assinada não consegue tirar o ADAP Rural”, informam.
Agnaldo e Rodrigo complementam que a questão da certificação para comprovar que os produtos são 100% naturais tem haver com a convivência entre os produtores e compradores. “Hoje nós podemos adquirir produtos de outros produtores, mas se você chegarem uma propriedade e vê uma máquina de passar veneno, vê a pessoa passando veneno no café, litros de venenos e outros agrotóxicos, nós já vemos que esse produtor não serve para produzir orgânico e seus produtos não são comercializados”, complementam.
“A Green Word vem rastreando os produtores, porque a falta de produtos totalmente natural está muito grande. Nós estamos vivendo uma ditadura alimentar, 75% dos produtos alimentícios são a base de soja. Nós temos que começar a produzir outros produtos de forma ecologicamente correto e os produtos totalmente naturais estão ganhando mercado no mundo”, dizem Agnaldo e Rodrigo.
Os produtores informam que produzir orgânico é lucrativo. “Você não gasta com adubo, agrotóxico e com a saúde. Você tem lucro por conta da produtividade além da qualidade de vida, porque dificilmente a família que trabalha com orgânicos adoece. Nós trabalhamos com orgânico por opção de qualidade de vida, viver melhor, com o solo, com a natureza, com a água, buscando o bem-estar e a saúde”, enaltecem.
Os irmãos fazem um alerta para a população. “Verifiquem o tanto de casos de câncer que tem hoje. Isso é devido a nossa alimentação. Produzir com agrotóxico e adubo cada vez mais. Nós temos que mudar essa cultura. Em alguns países o uso de agrotóxico e defensivo agrícola é proibido. No Brasil, principalmente a região de Alta Floresta, o uso é escancarado e é a região que mais consome agrotóxico no Brasil isso se não for do mundo, esses dados foram feitos através de pesquisa”, finalizam.
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