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Pecuária pode aumentar produção e reduzir emissões de gases do efeito estufa com adoção de boas práticas

A pecuária brasileira tem sido alvo de críticas e preocupações por ser uma das mais importantes emissoras de gases do efeito-estufa (GEE). A atividade responde, atualmente, por 15% do total das emissões nacionais. Entretanto, um estudo lançado nesta quarta-feira (7), durante evento em São Paulo, aponta para soluções ao demonstrar que a adoção das Boas Práticas Agropecuárias (BPA) pode aumentar a produção de carne em até cinco vezes e diminuir a emissão de gases do efeito estufa (GEE) provenientes da pecuária em até 50% por hectare de pastagem e 90% por quilo de carne produzida. Os dados fazem parte de um relatório desenvolvido pelo Instituto de Manejo e Certificação Florestal e Agrícola (Imaflora) a partir do acompanhamento de fazendas de gado de corte, localizadas na região norte de Mato Grosso, que integram o Programa Novo Campo.
Para obter os resultados, a equipe de pesquisadores acompanhou, ao longo de dois anos, as mudanças promovidas em cinco fazendas que somam 3.500 hectares e 7.500 cabeças de gado. Todas as propriedades tinham pastagens degradadas que passaram por reforma, entre 10% e 20% da área, com intervenções que permitiram a intensificação do sistema da produção. Também foram implementados sistemas de integração com lavouras de soja e milho, além de várias modificações na gestão da propriedade, com monitoramento contínuo do desmatamento, entre outros itens.
Nessa fase, o estudo demonstrou o aumento, médio, de produção de carne em 85%, com redução de 25% das emissões de GEE por hectare de pastagem e 60% por quilo de carne produzida. O relatório destaca que, quando considerada a reforma total das pastagens, o potencial de aumento de carne e redução de GEE pode chegar aos resultados citados acima.
Para os autores do estudo, Marina Piatto e Ciniro Costa Jr, os resultados são extremamente positivos, especialmente, considerando o pouco tempo em que foram obtidos. Por isso, os pesquisadores reforçam o enorme potencial da pecuária para o sucesso do compromisso assumido pelo governo brasileiro no Acordo de Paris.
De acordo com projeções do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatísticas (IBGE) para atender o consumo de carne bovina para 2030, seria necessário aumentar o rebanho bovino em 30%, o que, no modelo convencional de pecuária, aumentaria, significativamente, os índices de desmatamento e de emissões de gases. “O resultado obtido com o Programa Novo Campo mostra, na prática, que é possível vencer o desafio de aumentar a produção de carne sem que seja necessária a abertura de novas áreas para pastagens e, ainda, reduzir a emissões de gases, contribuindo para combater as mudanças climáticas”, reforçou Costa Jr, durante a apresentação do relatório.
Para Francisco Beduschi Neto, presidente do Grupo de Trabalho da Pecuária Sustentável (GTPS), e coordenador da Iniciativa de Pecuária Sustentável do ICV, o trabalho realizado demonstra que é viável desenvolver uma pecuária mais sustentável na Amazônia, gerando benefícios econômicos e ambientais. “As contribuições da adoção de BPA já vem sendo discutidas, teoricamente, faz um tempo, mas é a primeira vez que temos um estudo científico baseado em uma experiência prática”, disse.
Segundo os pesquisadores, o Brasil tem cerca de 174 milhões de hectares de pastagens sendo que, entre 40 e 60 milhões delas possuem algum tipo de degradação. Por isso, a reforma para utilização mais eficiente das pastagens é apontada como um dos caminhos para equilibrar o aumento da produção, com a diminuição das emissões de gases e o desmatamento de novas áreas. A questão, no entanto, passa pelo desafio de custear essas mudanças. Segundo Laurent Micol, diretor de investimento da Empresa Pecuária Sustentável da Amazônia (Pecsa), responsável pelo gerenciamento de algumas propriedades do Programa Novo Campo, a reforma de um hectare de pastagem custa, em média, R$ 3 mil reais. “É preciso encontrar mecanismos eficientes de financiamento e de compensação para promover as mudanças necessárias e, com isso, garantir a expansão dessa proposta”, comentou.
Em 2012, o Instituto Centro de Vida (ICV) iniciou um projeto piloto de promoção das boas práticas na pecuária bovina, desenvolvido com várias parcerias, na região de Alta Floresta, norte de Mato Grosso. O objetivo foi diminuir o impacto sobre os recursos naturais, principalmente a redução do desmatamento, da degradação e das emissões de gases do efeito estufa. Para isso, foi testado um novo modelo produtivo de gestão integrada da propriedade, com intervenções baseadas na aplicação das Boas Práticas Agropecuárias (BPA) para Gado de Corte, da Embrapa.
Ao longo de dois anos, os resultados demonstraram a viabilidade desse modelo, com melhorias na produtividade, lucratividade, qualidade da produção e sustentabilidade ambiental. Atualmente, o Novo Campo tornou-se referência de um novo modelo de pecuária para a Amazônia, pautado, principalmente, na construção de uma estratégia de desenvolvimento da cadeia produtiva com desmatamento zero. Para isso, continua contando com parcerias importantes, incluindo a JBS e o McDonald’s.
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