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Metade das espécies de árvores pode estar ameaçada

Professores da Unemat, estão entre os 158 pesquisadores de 21 países que desenvolvem o estudo.

Mais de 8.690 espécies podem ser extintas num futuro próximo
Pesquisadores de 21 países, incluindo o Brasil com a participação de dois professores da Universidade do Estado de Mato Grosso (Unemat), publicaram um novo estudo na revista Science Advances, em que afirmam que mais da metade de todas as espécies de árvores da Amazônia - a mais diversa floresta do mundo - pode estar globalmente ameaçada. 

O recente estudo estima que mais de 8.690 destas espécies podem ser extintas num futuro próximo. Considerando que as mesmas tendências observadas na Amazônia são aplicáveis em todos os trópicos, os pesquisadores apontam que a maioria das mais de 40 mil espécies de árvores tropicais no mundo igualmente correm os mesmos riscos. 

Os 158 autores do novo estudo concluíram, já em 2013, que a Amazônia pode abrigar mais de 15 mil espécies arbóreas. Hoje, sabe-se que dentre as 15 mil espécies de 36% a 57% estão ameaçadas, segundo os critérios de avaliação da Lista Vermelha de espécies ameaçadas da União Internacional para conservação da Natureza e dos Recursos Naturais (IUCN). 

A pesquisa, liderada por Hans ter Steege, pesquisador do Naturalis Biodiversity Center, na Holanda, e Nigel Pitman, do Field Museum de Chicago (EUA), comparou dados de monitoramentos florestais ao longo da Amazônia com mapas de desmatamento atuais e futuros para estimar quantas espécies arbóreas já foram perdidas e onde o problema é mais grave. 

O mesmo estudo ainda sugere que parques, reservas e terras indígenas, bem gerenciados, podem proteger a maioria das espécies ameaçadas. Os pesquisadores afirmam que as áreas protegidas e as terras indígenas cobrem mais da metade da bacia Amazônica, que contém consideráveis populações da maioria das espécies ameaçadas. 

As florestas na Amazônia estão sendo afetadas pelo uso da terra desde os anos 50, mas os cientistas ainda possuem pouco conhecimento sobre como isto tem prejudicado as populações de espécies arbóreas. No entanto, eles alertam que as florestas e reservas amazônicas ainda enfrentam barreiras de ameaças como: construção de barragens, mineração, queimadas e secas, estas intensificadas pelo aquecimento global, além da invasão direta de terras indígenas. 

“O desmatamento diminuiu muito nas últimas décadas, mas ainda enfrentamos sérios problemas com as queimadas, que estão devastando imensas áreas de florestas ao sul e leste da Amazônia”, alertam os pesquisadores brasileiros Beatriz e Ben Hur Marimon, professores da Unemat no campus de Nova Xavantina, que estão em Exeter, na Inglaterra, em missão de trabalho com os grupos de pesquisa de floresta tropical das universidades de Leeds, Oxford e Exeter.
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